segunda-feira, 3 de outubro de 2016

the beginning is a very delicate time *

Um pequeno ponto preto encerrou, há uns anos, esta história de escrever sobre tudo e sobre nada: ora sobre o sério e certo, ora sobre o inventado, aquele de quem não tem meias medidas. Pensei que teria sido um "ponto final parágrafo", daqueles que encerram capítulos, daqueles que terminam histórias ou daqueles que nos deixam com a sensação de que a história estava simplesmente inacabada.

A ideia de voltar a ter um canto para escrever surge quase como uma divindade improvável. Surge como uma mistura de fé e de sofrimento: se por um lado volto a sentir os meus membros outrora entorpecidos, por outro lado é como caminhar descalça sobre vidros partidos. Não fosse o copo de vinho que repousa do meu lado direito e a possibilidade de comprar ficha para andar neste carrossel nunca teria sido considerada.
Mas já que a comprei e como estou aqui diante deste pequeno carrossel despida de memórias, de distâncias, de medos quotidianos, de pequenez mundana, só me basta arregaçar as mangas e entrar.
Seguir, deixar ir, partir até onde ele me levar.

* title - quote by Frank Herbert

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